Falta alguma coisa 

Todo fim de ano é mesmo assim (8′

Eu me sinto inadequada, um peixe fora d’água. Odeio Ano Novo e a obrigação de comemorar algo que a gente nem sabe se vai ser bom. Não tem sentido todo esse drama pra virada do Ano, e eu adoraria poder passar sozinha, dormindo. 

Enfim. Família reunida, eu no quarto, querendo que passe. 

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​Querem me ensinar como sentir

 Eu sinto demais, eu choro demais, eu sou assim. Eu me irrito, explodo às vezes, mas passa. Mas eu sinto e fica bem claro o que se passa na minha cabeça. 

Aí as pessoas acham que é exagero, que as situações não merecem tanta atenção, que eu deveria me controlar. 

Mas me controlar por quê? Não faz parte de quem em sou ser assim? Por que não posso simplesmente deixar a emoção fluir, e me acalmar assim?

O Contador me lembra o Curt 

Ou seria o contrário? 
Lendo o livro Americanah, me deparo com esse personagem. O Curt. Que é feito de esperança. Ele não sabe como nem porquê, mas espera, tem fé que vai ficar tudo bem, uma alegria infantil, como se nunca tivesse sentido o peso do mundo nos ombros, sabe? E eu não consegui não o enxergar como o Contador. Ele é exatamente assim. Vive em outro mundo. Um mundo bom, onde tudo pode dar certo.
Ao mesmo tempo que eu adoro isso nele, me desespera. 

Eu não tenho esperanças, nem acho que exista salvação. Então, por um lado é bonito ver alguém assim, tão encantado, com olhos tão brilhantes, tão feliz com um futuro feliz. E às vezes me assusta e deprime, porque eu queria fazer parte disso, desse frescor, mas tudo que eu consigo pensar é em como essas alegrias nunca acontecerão.

Quem teme a morte [Livros]

Bem, pra quem gosta de livros com enredos mágicos, aventura, reviravoltas, esse é o livro.
Confesso que não é normalmente o tipo de leitura que me atrai, mas o fato de se passar na África me deixou animada.
Não se diz exatamente onde, nem que efetivamente estamos falando da África, mas é a impressão que temos ao ler a descrição dos personagens, dos lugares, dos costumes.

Em suma, o livro é sobre a Onye, uma Ewu (leia o livro pra descobrir o que é isso) e sua descoberta dos seus mágicos, sua missão nesse mundo. O livro é pesado, a Onye não é aquela mocinha fofa cor de rosa, os personagens entram em vários conflitos.
Acompanhamos Onye por sua infância e adolescência, suas amizades, amores, treinamento.
Enfim. Eu recomendo.

 

Autora: Nnedi Okorafor

O mundo se despedaça [Livros]

O primeiro livro africano que li
Tenho um carinho especial por ele. Um dos melhores livros da minha vida. Se você, como eu, não tem o hábito de ler literatura africana, vai sofrer um pouco no começo – o livro não é atual, então são descritos costumes que não fazem parte da nossa sociedade, aí a cabeça demora um pouco a captar – mas nada que impeça a leitura.

O livro narra o encontro entre o europeu e o africano, pelo ponto de vista de um valoroso guerreiro Igbo.
Mostra as diferenças do pensamento, e, como eu li em algum lugar (não exatamente com essas palavras), como “os europeus souberam se aproveitar das fragilidades da cultura igbo.” No caso, em toda sociedade temos os excluídos, os que sofriam algum tipo de injustiça, e era neles que os invasores investiam, os convertiam, e criavam fraturas na sociedade.
Recomendo por dois motivos:

1) O livro é incrível! A história é maravilhosa, você não consegue parar de ler.

2) É interessante ler algo que parte de um ponto de vista totalmente diferente do seu. Os costumes, o “normal”, o certo e o errado. Ler a história vista por outro ângulo te abre mil e uma formas de pensar as coisas.

O livro não é romance, e em alguns pontos me batia um desespero, uma tristeza.

Vale muito!

Autor: Chiuna Achebe

Ela vai te corroendo por dentro

E quando não tem mais o que corroer, o que estragar, você sente o coração apertadinho, as pernas fracas, o peito sem ar. 
Aí você cai, ou se segura firme em algo pra não desabar.

E aí você se sente só, muito só, e nem todas as pessoas do mundo juntas vão te fazer sentir bem.
Eu estava no trem quando tudo começou, eu não aguentei ficar em pé, eu não aguentei não respirar, eu não aguentei os olhares de pena das pessoas sem entender o que estava acontecendo. 

E eu não sei. 

Pra mim estava tudo bem, em um segundo tudo foi mudando, as coisas ficaram estranhas, não podia ficar naquela caixa sem ar. 

Eu não quero passar por isso de novo, odeio ter sido feita assim, dessa matéria frágil e doente, preocupada e chorona. 

Odeio essas crises.

Odeio esses tempos.

Contador e limites de estresse 

Então que agora eu tenho o Contador. Ter é uma palavra forte, mas não sei que outra poderia se encaixar aqui. Pois bem. 

Depois do drama, agora eu quero paz e amor, nada de brigas ou estresses desnecessários, mas não sei dosar os limites dos estresses, sabe?

Nós temos nossas diferenças, claro, é sempre que elas aparecem o monstrinho na minha mente vem me falar que vai tar tudo errado e que não vai dar certo; e que eu estou me estressando, coisa que me prometi não fazer. 

E qual limite aceitável do estresse e um uma relação?  Eu já tensionei tanto esse limite; já deixei as cordas arrebentarem tantas vezes, que eu não sei dosar mais. Qualquer pequeno problema eu vejo como algo grande, já que eu não sei até onde ir sem morrer de dor depois. 

É isso. 

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