Hanoi

Nós já havíamos brigado por tanta coisa, eu já chorei por tantas noites, que eu não achei que uma discussão sobre isso nos abalaria.

Mas abalou. E o pior, um mal entendido. Você não entendeu meu lado eu não entendi o seu, as coisas foram rolando e eu não sei mais se eu te quero.

Na verdade eu quero. Muito. Continuo querendo. Mas eu sei que me faz mal. Você vai continuar essa pedrinha de gelo e vai continuar fazendo coisas que me magoam e eu vou continuar achando que a culpa é minha quando não há culpados. Só pessoas diferentes.

Só Deus sabe o quanto eu tentei relevar. O quanto eu tentei aceitar. O quanto eu repeti “é o jeito dele”. Mas não combina. Não bate.

E agora; depois de uma semana, você nem falou nada. Você me esqueceu. Me deixou. Como se estivesse tudo bem.

E só eu e Deus sabemos o quanto qualquer palavra tua teria me feito voltar atrás e te dar mais um milhão de chances porque eu te amo tanto e te adoro tanto que mesmo ruim com você tava bom. Mas você não sente minha falta e tem uma parte de mim que agradece que você não vai procurar. Porque no fundo eu sei que é melhor assim. Que eu não quero sofrer mais um ano, chorar mais um ano, querer morrer com seus sumicos.

Não dá.

Mas a falta que eu sinto de você é tão grande.

Tão grande.

Que eu não sei se vou aguentar.

Se eu quero aguentar.

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Passou

Eu acho que o nosso passou, sr. Mapm. Nosso tempo foi quando nos conhecemos, lembra?  Você tinha tempo, um emprego tranquilo, e eu tinha esperança.

Eu sempre tenho esperança nos primeiros dias.  Sempre. Mas o tempo vai passando e eu vou deixando as vozes se aproximarem, aquelas que me lembram que eu não valho mta coisa, e você sempre esteve incluso no “muita coisa”.

Apesar de ser um cara irritante, era e é o tipo de cara que eu gosto. Pq sua risada é linda e inconfundível. Quando você me ligou no meu aniversário, eu reconheci pela sua risada.  Eu estava tão surpresa de você ligar, que você ria da minha reação. E eu adoro sua risada. Assim como adoro seu pensamento rápido,  como nenhuma pergunta fica sem uma resposta rápida. E adoro como você está disposto a mudar, como você ouve minhas idéias como se importassem pra algo. Você sempre me fez sentir especial e de um jeito que nunca pareceu forçado. E você tem uma voz tão linda e me faz derreter quando fala espanhol. E eu treino meu español todo dia pra falar com você.

E nosso tempo era quando você teve férias, e eu iria te ver, iríamos passear, sair, conversar, mi coisas mais, mas o passaporte não ficou pronto, e você teve que ir pra sua casa, pra onde não posso ir.

E as chances agora são tão poucas, e meu medo é tão grande, e você é tão perfeito que eu não quero destruir isso, essa idéia que tenho de você,  de nós,  da nossa vida.

E nosso tempo passou, a vontade de te ver não passa, de ter nos braços, de te ver dormir, e de mil outras coisas que eu não tenho.

Eu não queria que isso aqui se transformasse num santuário pro Meza. Mas eu penso em você tanto, é nesses dias longe mais ainda, e eu nunca te mando essas coisas porque você vai me achar louca e eu me acho louca por pensar tanto, e eu preciso escrever ou qualquer outra coisa, pq se eu deixo tudo na minha cabeça eu fico louca, mais do que antes.

Enfim. Tudo isso pra dizer que nosso tempo passou.

Maria Cecilia & Rodolfo me entendem

“E os dias vão, e essa saudade de você no coração 

O telefone que nao sai da minha mão

Eu conto as horas pra você voltar pra mim”

Acordo e checo se não tem mensagem. Passo o dia com o telefone no máximo, mesmo odiando celular barulhento,pra não perder qq notificação sua. Notificação que não chega. Eu checo o Skype de um em um minuto. Eu acordo de madrugada pra ver se chegou algo. E nada. Essa agonia por dias.

Eu sei que tá tudo dando errado pra você, apartamento, gato, cachorro, avó, pai, emprego, chefe, tufao.

Mas tá tudo errado pra mim também. Pai, mão, ansiedade, grana (ou falta dela), você. Ou falta de.

Porque eu sempre sou a compreensiva, a “sweet”, a que entende. E tou semore cuidando de você. E procurando. E eu queria que você entendesse. Cuidasse. Apoiasse.

Ou que pelos menos não desaparecesse. Porque o que dói nao é não é a falta, é não saber. Se você tá vivo, se você desistiu, se você ainda me quer.

Doi saber que tu não achou um minuto pra falar comigo, que tu não sente minha falta como eu sinto a tua, que tu não liga. Não como eu ligo.

Doi saber que eu fico remoendo isso e me irritando e tendo crise e me machucando pra nada, pq eu não consigo dizer Tchau.

Assim que você aparece a raiva passa. Eu esqueço. Ou tento. Porque no fundo eu acho que é o máximo que eu mereço.

Cartas que eu não mando

Eu ainda não superei minha mania de cartas. Tenho várias espalhadas pelos diários que coleciono. Fora as que tenho aqui, as em folhas soltas, as em documentos do Word nunca enviados.

Geralmente eu as escrevo quando estou triste, chateada, ou coisa assim. As coisas que escrevo são aquelas que não tenho coragem de falar, aquelas que eu acho que as pessoas deveriam saber, mas eu tenho medo de mostrar. Medo de ser tida como boba, medo de incomodar, medo de parecer besta, medo.

Esse medo sempre me assolou, sempre.

Enfim.

Dessa vez eu escrevi umas cartas pro mapm, e provavelmente eu as enviarei, até porque eu acho que ele vai ~terminar~ comigo mesmo. Escrevi duas, e mandarei junto. Uma escrevi no calor do momento, estressadíssima, tudo dando errado, ele daquele jeito dele meio louco, eu meio carente, tem dias que não bate. A outra eu já estava com a cabeça no lugar e sabia que a primeira deve ter ficado meio “QQQQ???” porque eu me perco fácil.

Enfim. Espero que ele entenda. se ele ainda não tiver terminado comigo quando as cartas chegarem, ele vai lê-las e achar que eu sou completamente pirada. Ou ele aceita ou foge.

Vai ser bom que ele saiba onde está se metendo. (Se bem que eu desconfio que ele tem uma certa ideia)

Bem, deixo esta música  aqui também. Me apaixonei assim que ouvi, é minha cara.

cartas.meza

As cartinhas. A amarela é a louca, a azul a contida.

Cartas para o Meza

Eu não queria transformar nisso em algo sobre o Meza. Mas não dá. Tive um sonho tão ruim com ele.
Ele me chamava no whatsapp (hi) e quando eu ia responder ele trocava a foto. Era uma daquelas fotos típicas de recém casados, mãos entrelaçadas pra mostrar a aliança. E a mão não era a minha. Nisso eu já começava a chorar. E ele me contava que estava feliz, que tinha casado. Eu entrava no face, e várias fotos dele enchiam minha timeline. Ele e ela. Rindo. Ela de noiva. Com um vestido lindo. Casamento de dia. No campo. Ele de terno. A sobrinha dele de daminha. E eu acordei. Chorando e cansada.
Esse sonho me atormenta sempre que me interesso por alguém. Sempre. E eu sempre acordo esgotada.

Obrigada, Tino, por me proporcionar memórias que se tornaram pesadelos recorrentes.

A louca das cartas

Relendo uns diários antigos (pq sofrer faz bem) vi o quanto de cartas eu tenho. “cartas” pq são todos textos que eu escrevi pra algumas pessoas, coisas que eu nunca tive coragem pra mandar, e nunca terei. Sei que estou melhorando, não sigo mais o antigo mantra “seja boazinha, não perturbe, não incomode”. Mas ainda estou anos luz do que seria correto.
Imagino quantas decepções, quantas lágrimas teriam sido poupadas se eu deixasse claro o que me incomodava! Se a pessoa tacasse o foda-se, ótimo, eu saberia que ela não se importava comigo, dói desapegar? MUITO. Mas dói menos quando você tem motivos para isso. Agora se a pessoa se importasse, ou ela diria que não concorda, e chegaríamos a um acordo, ou ela veria o que me incomoda e, tharan! Acordo!
Mas nessa de ser boazinha, alimentei minhas mágoas, reguei, cuidei, e agora elas estão muito bonitas e fortes, e com raízes profundas em mim, obrigada.
Sei que isso pode ser modificado, que o mal deve ser cortado pela raiz, mas o trabalho é árduo e o caminho sangrento.

;))))