Para os que ainda escrevem cartas

Comecei a ler “Para todos os garotos que já amei”, e resumindo bem basicamente: a heroína escreve cartas para todos os meninos que já amou (jura?) e misteriosamente essas cartas são enviadas. A história desenrola a partir daí, de como os garotos reagiram e como isso afetou a relação (ou não-relação dela com eles). 

Fiquei pensando o que aconteceria se os meninos encontrassem esse blog. O sr. Tall sabe, mas como ele não lê português e curiosidade não seja seu forte, duvido que tenha lido. Lorenzo que não é Lorenzo não sabe, tenho certeza. Nem o que não pode ser cortado. Meza é uma incógnita. Ele sabe que eu escrevo na Internet sobre ele, e já pediu o endereço do blog. Não dei. Se ele quisesse, sei que acharia, mas o conheço, o trabalho de procurar não deve ter atraído. 

Quase me esqueço do Chaviere… Era leitor assíduo, mas nunca escrevi sobre ele enquanto ele acompanhava. 

Enfim. 

Só uma pequena recordação das coisas que venho escrevendo.

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Meza

Quando você me perguntou se eu tinha saudade, eu não respondi. E quando você me disse, “ok, você não tem saudade.”   

E eu não falei nada, deixei passar.  Porque não fazia sentido dizer o quanto eu sinto ou o quanto eu queria ainda estar contigo, porque já entendi que isso não vai acontecer e tudo bem. As coisas não são como a gente quer. 

Mas certas coisas me lembram você, e eu penso na gente.

Alguém que me empreste o casaco

Estou eu linda e bela (ou não) aguardando o médico,  quando um casal de velhinhos começa a discutir, porque ela está com frio e não tem casaco, e ele não empresta o dele. Que ele não está usando. Ele não tem frio. Não está usando.  E se recusa a emprestar. Ela ameaça ir embora sem ele, não aguardar mais a consulta, e nada. 

Não sei como é o relacionamento deles,  se estão juntos há anos, se se amaram ou se amam. Só sei que daqui a uns bons anos, se eu estiver casada, espero que meu marido tenha a decência de me proteger do frio.

Carta ao aniversariante – Meza 

Seu aniversário é dia 01 de fevereiro, e hoje é 31 de janeiro. Pra mim ainda não é seu dia, mas onde você está já é. Então, eu já estou em cócegas hahaha

Pensei muito se te mandaria mensagem hoje ou amanhã, e me decidi por não mandar, apesar de querer muito. 

Apesar de tudo, ainda te quero demais, e ficar mexendo em feridas que não foram cicatrizadas não me fará bem algum. 

Mas é horrível perceber que a pessoa que eu mais amei me fez tão mal e que é melhor pra mim ficar distante. Odeio esse sentimento, esse querer sem poder.

Você foi e ainda é muito importante pra mim e eu ainda quero tudo de bom pra tua vida, e eu ainda penso muito na gente e você foi fundamental pra mim. Mas é isso. 

Ainda não te agradeci pelos dias bons e pela tua paciência neles, nem por tudo que me ensinaste naqueles anos. Não tive chances. Fica aqui o recado. 

Obrigada. 

Sonhei com você e acordei sorrindo

Sonhei com o Meza. Era engraçado. Depois de todo esse tempo sem contato, ele mandava uma mensagem dizendo que tinha conseguido uma vaga de professor. E me ligava via Skype pra me dar uma aula. Lembro que ele tinha feito um power point, cheio de efeitos, e ele andava de um lado ao outro da sala explicando as teorias. E eu bolada, sem entender nada, no melhor estilo: qual seu problema, cara? Você termina comigo, some e agora isso. O sonho acabava quando ele terminava a aula e desligava a ligação, e eu sem saber direito o que tinha acontecido.

Acordei sorrindo. E lembrando das coisas legais. Do meu aniversário e dos tacos. 

Coisas que não voltam. 

Tão óbvio 

Agora que você se foi, eu me lembrei de uma situação que na época eu não entendi bem, mas agora eu lembro.

A lembrança nem é tanto da situação, mas do que eu senti no dia.

Estávamos falando do site onde nos conhecemos e das coisas que lemos lá, as mensagens sem sentido e os perfis, o que nos levava a responder ou não as pessoas.

Aí você falou dela. Da outra menina que você tinha no whatsapp, e de como ela era sexy e engraçada.

E eu lembrei do incômodo que eu senti ao ler isso. Porque uma coisa é você saber que a outra pessoa não vive em uma redoma onde só existem vocês dois, outra é ter provas disso. E na mesma hora o tom da conversa mudou,  você me perguntou se eu havia ficado com ciumes, eu disfarcei e disse que não.

Eu fiquei com medo de ser ciúmes  (agora sei que era), medo de me apegar a você e te “perder”, medo da gente não dar certo.

E eu te “perdi” e não demos certo, e eu nunca consegui fazer você saber que eu te considerava demais, que mais um passo e eu estaria sonhando com seus olhos e lentilhas, e mais mil “e” que não aconteceram.

Se eu pudesse voltar naquele dia, eu teria assumido. E se eu pudesse voltar no dia que você comentou que queria um beijo, eu teria dito que era meu desejo também.

Mas agora nada disso importa. Porque o tempo não volta, i-n.

Meza

Já faz um tempo desde a última vez, mas eu não canso de olhar nossas fotos e lembrar de tudo e criar coisas novas pra gente, pra nossa casa e nossa vida.

É tão estranho isso, sonhar por dois, sonhar com algo que não vai acontecer, saber que você está em outra vibe, que algo que foi bom pra mim pra ti não foi tudo isso.

E eu tenho um medo tão grande de nunca sentir isso de novo, essa vontade de voce, essa vontade de ter um nós, se sentir em casa em um abraço e não ligar de ter alguém bagunçando meu cabelo e reclamando do meu jeito de repetir a mesma música o dia todo.

Não ter você pra andar abraçada e não ter você pra ajudar a escolher a roupa e não ter sua barriga pra apertar e dizer que é nossa filha, não ter como me assustar da quantidade da sua comida e não combinar de gastar a sua parte de agua.

Não ter você dói demais.  Saber que você não volta dói demais. Eu sinto falta de nossas brigas, você sempre voltava, e agora eu não tenho essa volta e tudo é vazio e eu não quero lidar com isso.

Eu quero te ligar e te pedir para voltar, que eu te entendo e que a gente pode superar isso, mas eu te disse isso tantas vezes, já escrevi, tantas e tantas vezes…
Não adiantou, não é mesmo? Assim como não adiantaria agora.

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