Tão óbvio 

Agora que você se foi, eu me lembrei de uma situação que na época eu não entendi bem, mas agora eu lembro.

A lembrança nem é tanto da situação, mas do que eu senti no dia.

Estávamos falando do site onde nos conhecemos e das coisas que lemos lá, as mensagens sem sentido e os perfis, o que nos levava a responder ou não as pessoas.

Aí você falou dela. Da outra menina que você tinha no whatsapp, e de como ela era sexy e engraçada.

E eu lembrei do incômodo que eu senti ao ler isso. Porque uma coisa é você saber que a outra pessoa não vive em uma redoma onde só existem vocês dois, outra é ter provas disso. E na mesma hora o tom da conversa mudou,  você me perguntou se eu havia ficado com ciumes, eu disfarcei e disse que não.

Eu fiquei com medo de ser ciúmes  (agora sei que era), medo de me apegar a você e te “perder”, medo da gente não dar certo.

E eu te “perdi” e não demos certo, e eu nunca consegui fazer você saber que eu te considerava demais, que mais um passo e eu estaria sonhando com seus olhos e lentilhas, e mais mil “e” que não aconteceram.

Se eu pudesse voltar naquele dia, eu teria assumido. E se eu pudesse voltar no dia que você comentou que queria um beijo, eu teria dito que era meu desejo também.

Mas agora nada disso importa. Porque o tempo não volta, i-n.

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Meza

Já faz um tempo desde a última vez, mas eu não canso de olhar nossas fotos e lembrar de tudo e criar coisas novas pra gente, pra nossa casa e nossa vida.

É tão estranho isso, sonhar por dois, sonhar com algo que não vai acontecer, saber que você está em outra vibe, que algo que foi bom pra mim pra ti não foi tudo isso.

E eu tenho um medo tão grande de nunca sentir isso de novo, essa vontade de voce, essa vontade de ter um nós, se sentir em casa em um abraço e não ligar de ter alguém bagunçando meu cabelo e reclamando do meu jeito de repetir a mesma música o dia todo.

Não ter você pra andar abraçada e não ter você pra ajudar a escolher a roupa e não ter sua barriga pra apertar e dizer que é nossa filha, não ter como me assustar da quantidade da sua comida e não combinar de gastar a sua parte de agua.

Não ter você dói demais.  Saber que você não volta dói demais. Eu sinto falta de nossas brigas, você sempre voltava, e agora eu não tenho essa volta e tudo é vazio e eu não quero lidar com isso.

Eu quero te ligar e te pedir para voltar, que eu te entendo e que a gente pode superar isso, mas eu te disse isso tantas vezes, já escrevi, tantas e tantas vezes…
Não adiantou, não é mesmo? Assim como não adiantaria agora.

Quer dizer que superei?

Sabe, quando as coisas tomaram aquele rumo incerto, e tudo o que eu sabia era me perguntar o que eu tinha feito de errado, eu comecei a apagar tudo o que eu tinha de você. Tanto as coisas físicas, meus desenhos da gente, as cartas, quanto as lembranças, me forcei a esquecer sua voz, nossas conversas, seu rosto e as coisas que me lembravam de você.

As nossas músicas tambem. E esta foi a pior parte. Você é louco por música, cantor, passamos tarde conversando via trechos de músicas, cantando, indicando músicas um ao outro.

Hoje eu me peguei cantando esta música. A música que euu odiei de primeira, mas bastou pra você me mandar em um aúdio pra eu não parar de ouvir. E eu precisei parar, me forcei a parar.

E hoje eu percebi que uma parte de você se foi, e, embora eu não quisesse que tivesse sido assim, é assim que é. E eu acho que agora estou aceitando isso.

Fdb